segunda-feira, 14 de maio de 2012

Educação Intuitiva

Há tempos procuro uma resposta para algumas decisões que intuitivamente tomei em relação à educação da minha filha. Sabia que mais cedo ou mais tarde conseguiria respaldo e aquela sensação de estar completamente louca ou errada acabaria.

E ESSE DIA CHEGOU!!!

A história é polêmica e só agora que ganhou a grande mídia é que a coisa vai pegar fogo,mas eu adoro polêmicas em Educação.

Trata-se da CRIAÇÃO COM APEGO ou  "attachment parenting", é uma expressão cunhada pelo pediatra americano William Sears. Já postei um link onde vocês podem se informar mais sobre o tema.

Não vou levantar a bandeira deste modelo de criação, até porque não  conheço suficientemente, mas há alguns pontos que sempre fiz, sem saber que era esse o nome.

Uma das coisas mais criticadas pela Psicologia Moderna é o fato da criança dormir na cama dos pais.
Só Deus sabe quanta bronca, reprimenda, olhar torto e tudo mais eu ganhei por isso.Qualquer problema que acontecia, claro que a fonte era essa. Mas seja pela teimosia caracteristica dos capricornianos, seja pela aguçada intuição de mãe, consegui resistir sem me deixar abalar.
No meu caso,tudo começou , infelizmente, pela Depressão Pós-Parto, que ao mesmo tempo me deixava incapacitada de levantar tantas vezes durante a noite para dar de mamar, quanto me provocava um medo exacerbado da minha pequena ter morte súbita. Então era melhor tê-la comigo durante a noite.

Mas o tempo foi passando, fiquei curada e ai  fui descobrindo um enorme prazer em ter meu rebento ao meu lado, encaixado em mim durante a noite. Podendo trocar o calor do meu corpo para aquecê-lo. Ouvindo sua respiração suave, amparando nos momentos os sonhos maus o aflige; cuidando quando está doentinho. Fui percebendo que isso diminuia a ansiedade dela e  minha e a partir de então o motivo tornou-se simplesmente cuidado e prazer.

Quanto falatório e críticas por isso!!!!!

Mas como um pouco de conhecimento em História não faz mal a ninguem, busquei  referências nas diferentes culturas desde a antiguidade, onde a criança era sim criada na cama com os adultos, principalmente com as mães. Na Grécia antiga, as casas eram divididas em em Androceu- a ala masculina onde aconteciamos encontros, as reuniões dos homens, as festas. E o Gineceu- onde ficavam as mulheres e as crianças. Da mesma forma na Idade Média, as crianças dormiam com suas mães ou amas e os senhores e os guerreiros tinham a ala deles.

O quarto do casal é uma invenção da família burguesa, que muda muito as relações parentais vividas até então e são o modelo que seguimos até hoje.
Bem seguimos em parte, pois nas família de baixa renda é mais do que comum as crianças dormirem com os adultos ou com crianças mais velhas, por falta de cobertores mesmo.


A Psicologia defende que a criança tem que dormir em seu quarto e em sua cama para desenvolver autonomia e estruturar o Ego, diferenciando-se da mãe.

Freud, com a descoberta, importante é bom ressaltar, da sexualidade infantil, povoa de desejos inconscientes todos os atos onde a libido = afeto esteja presente. Principalmente aqueles que acontecem nas quatro paredes dos quartos.

Não posso negar os muitos relatos de crianças que foram abusadas sexualmente, por compartilharem a cama com os pais, nem de casais que têm relações sexuais, mesmo com os filhos em suas camas, sobretudo em camadas socio-economica-culturais mais desprovidas. É fato.

Mas tudo isso se deve a uma peversão do mundo patriarcal com sua lógica fálica! É uma doença social que de tanto ser perpetuada, tornou-se normal.

O que acontece com a Criação com apego ou Educação Intuiva, termo que eu prefiro, é que é por consciência e escolha que colocamos nosso filhos em nossas camas. E quando escolhemos isso, escolhemos também viver a nossa sexualidade de forma diferente e mais inventiva, se querem saber. É abrir um espaço em nossas vidas muito maior para sermos pais e mães.

É acreditar que as crianças têm vozes que precisam serem ouvidas.

Criança criada com afeto e com respeito desenvolve um Ego saudável, supera suas fases de desnvolvimento com naturalidade e se prepara para ser um adulto responsável de uma forma muito mais gostosa. Quando o desenvolvimento é saudável a natureza, os hormônios fazem com que a criança busque o seu quarto, o seu espaço, a sua cama...para viver o seu grande mundo interior. Ninguém precisa ter dúvida disso.

CONSCIÊNCIA E ESCOLHA!

 Isso faz toda diferença.

O mesmo serve para o segundo ponto mais atacado pelos Psicólogos e Nuticionistas, que é a relação com a comida.
Acreditem, às vezes forças demais só atrapalha.

Os princípios da Criação com apego são:

1- Preparação para a gravidez, o nascimento e a mater-paternagem.
2- Alimentação com amor e respeito.
3- Responder sempre com sensibilidade.
4- Praticar a Criaçao baseada no Apego.
5- Incluir esa criação também durante as noites.
6- Fornecer carinho constante.
7- Praticar a disciplina positiva.
8- Esforçar-se para o equilíbrio na vida pessoal e familiar

A forma como cada família escolhe viver isso é única e por isso mesmo gera uma diversidade maravilhosa.

Esse texto é muito mais um desbafo. Sintam-se a vontade para criticarem e cometarem muito!

e me deu vontade de terminar como minha amiga Fabiana Desidério, do Conversa de mãe:

FIM

Maternar Vida: A criação com apego e a neurociência

Maternar Vida: A criação com apego e a neurociência: Segue abaixo um texto bastante interessante que foi escrito pela Lígia, bióloga, do blog Cientista que virou mãe , vale muito a pena ler ...

domingo, 13 de maio de 2012

Mãesupial

Aderindo à campanha do Programa Papo de Mãe : mães sem culpa.... resolvi assumir de vez meu lado mãesupial.

É aquele lado mãe-canguru, que adora carregar e nutrir a cria, até quando a maioria das espécies ja abandonou esta fase.

(O marsupial é um animal, mamífero, cujo desenvolvimento das crias se processa principalmente fora do corpo das fêmeas, dentro de uma bolsa, o marsúpio (latim: MARSUPIUM). O Canguru, por exemplo.)


Vai dizer que existe coisa mais gostosa do que dormir como uma conchinha, bem encaixadinho com o filhote e acordar no meio da noite com aquela mãozinha te  fazendo carinho. Ou ouvir a respiração tranquila ou a risada dele enquanto sonham?

Vai dizer que algo descanse mais do que tomar um  banho depois de um dia agitado e deitar de pijaminha, aninhada na cria para nem se ligar no está passando na TV, apenas ficar sentindo o cheirinho da tua criança prestes a dormir?

E quando eles começam a crescer e passam o dia fora, explorando o mundo e voltam a noite para o teu ventre, aconchegado, cansando, largado de tantas descobertas e simplesmente te dizem: - Mamãe, te amo!

Que gostam de fazer mousse de chocolate com você. Que adoram teu bifinho e que acham que tua sopinha não tem igual no mundo.

Que puxam teu rosto enquanto você trabalha no computador, só para  te dar um beijo e que  nunca param de falar sobre as coisas que aconteceu na escola.

Vai dizer....???....

Que me desculpem os colegas Psicólogos, os amigos Pediatras e os queridos Educadores, mas neste dia das Mães, eu quero mesmo é ser Mãe-Canguru.

Não importa a idade da minha cria, da minha filha...que ela volte sempre para o calor do meu útero símbólico. Para o meu marsupio sempre pronto para recebê-la.

Que meu ninho nunca fique vazio.

E quando a vida chamá-la para aventuras que resultem na inoxerável separação, que ela sempre saiba que que tem uma bolsa prontinha para nutrí-la.

Parabéns a todas as Mamães!!!!

assinado Mãe -Canguru assumida e sem culpa.








terça-feira, 28 de junho de 2011

O Massacre de Realengo-RJ e Bullying

Em 07 de abril de 2011, assistimos em estado de choque a cenas de violência desmedidas e inimagináveis. Todos ficamos preplexos e dificilmente algum pai deixou de se colocar no lugar daqueles que perderam seus filhos naquela tragédia. Durante horas e dias os noticiários encheram nossas casas de imagens terríveis ao ponto da saturação, até que, já anestesiados pela exposição massiva da mídia, paramos de falar e pensar no assunto. A Páscoa estava se aproximando e tinhamos de pensar nos ovos...de comprar e comprar e comprar.

Refiro me a tragédia que ocorreu em Realengo, no Rio de Janeiro, quando  Wellington Menezes  entrou numa escola no período de aula e começou a atirar, matando crianças inocentes.

Muitas questões de suma importância foram levantadas com esse episódio : segurança em escolas; doenças mentais (esquizofrenia foi a mais cogitada); isolamento social; bullying.

 Esperei até agora para me manifestar, pois fiquei aguardando o laudo oficial da psiquiatria forense para comentar o assunto. E tive de esperar porque esse laudo não apareceu, pelo menos não na grande mídia ou com fácil acesso pela internet. Estava prometido para um mês depois da tragédia, mas até agora nada..... Se alguém tiver alguma informação a respeito por favor me encaminhe.

Pois bem, essa falta de continuidade da mídia diante desses acontecimentos é sempre a mesma...mudou  a pauta e seguimos em frente. E nós como sociedade fazemos o mesmo. Passada a comoção geral, tocamos a vida um pouco mais calejados e deseacreditados na  humanidade - ou não- e seguimos para os próximos capítulos.

Mas acho importante voltar a isso pois, como disse, ali se falou muito em fatores traumáticos que desencadeiam episódios violentos, sobretudo o mais comentado do momento que é o Bullying. Assunto seríssimo, sem dúvida e que merecerá muitas discussões aqui, mas não agora. Tomarei emprestado um artigo de uma grande amiga, a psicoterapeuta Sâmara Jorge que escreveu algo muito profundo e sensível sobre o tema. Vou publicá-lo na integra a seguir.

Quero analisar a questão da doença mental e do preconceito em relação a ela e do isolamento social e nossa forma de lidar com isso.

Em primeiro lugar, muito se falou em esquizofrenia. E falou-se de forma tão leviana que assustou. Eu ouvi e presenciei o desespero de uma mãe, cujo filho é esquizofrênico e tem mais ou menos a idade de Wellington Menezes, pensando se um próximo surto do filho poderia desencadear trágedia semelhante.... Bem como a tristeza desta mesma mãe ao saber que seu filho seria ainda mais segregado por ser esquizofrênico daquele momento em diante.

Antes de mais nada alguns esclarecimentos:
  1. Wellington Menezes não cometeu aquele desatino por ser esquizofrênico e sim por nunca ter recebido tratamento adequado e não estar medicado.
  2. Ninguém pode afirmar se ele era ou não esquizofrênico, pois nunca passou por um diagnóstico que comprovasse ou não a doença e indicasse o tratamento.
  3. A esquizofrenia em si não faz de ninguém homicida, mas a falta de tratamento pode leva-lo na maioria das vezes ao suicídio e em casos extremos ao homicídio.
  4. O problema da esquizofrenia, como de toda e qualquer doença mental não é a doença em si, mas a falta de tratamento, medicação, desinformação, preconceito e exclusão social.
  5. Bullying é um problema social sério que leva questões psicológicas graves, mas por si só não leva ninguém a cometer destinos.
Mas por que diante deste acontecimento veio a tona esses assuntos???

Porque depois do estouro da boiada, todo mundo tinha algo a falar sobre a porteira.

Wellington Menezes passou a vida toda sendo como ele sempre foi. Os próprios depoimentos pós-tragédia confirmam isso. Era estranho, isolado, com tendências ao fanatismo religioso, filho de uma mãe biológica esquizofrênica, discriminado na escola, vítima de gozação e tudo mais que se falou a respeito dele. Ma somente depois dele ter colocado em prática todo desequlíbrio psíquico, ter partido para a ação é que as pessoas resolveram se manisfestar. Não antes.

Ele sempre foi assim. Todo mundo percebeu!  Família, escola, professores, colegas, vizinhos...todos sabiam que ele era "esquisito" e ninguém fez nada. Ao que parece a mãe adotiva teve alguma iniciativa de procurar ajuda psicológia, mas ele não aderiu ao tratamento e nunca saberemos o que esse profissional que o atendeu chegou a perceber sobre sua personalidade. Depois da morte da mãe( adotiva aqui é mais um preconceito, pois ela era a mãe verdadeira que cuidou dele, se preocupou com ele e tentou intervir de alguma forma), esse rapaz ficou a merce de sua própria sorte. Completamente abandonado com sua doença e a merce dela.

Para mim tão chocante como o fato dele ter assassinado tantas crianças é o fato da família dele tê-lo abandonado tão enormente que não quiseram nem reclamar o corpo deixando-o ser enterrado como indigente, quando todos sabiam quem ele era. Sinal de abandono maior não pode haver. Não vamos macular nossa família, nosso nome, nossas vidas nos identicando com esse monstro. Ele está morto...graças a Deus. Pode até ser por medo de repressálias que os familiares agiram assim, pois não duvido nem um pouco que essas repressálias e discriminações aconteceriam, tornando a vida dessas pessoas um inferno. Quem sou eu para critica-los diante disto. Só continuo afirmando que Wellington não foi abandonado em sua morte. Já havia sido abandonado muito antes disso, durante toda a sua vida.

E nós, da nossa conforatável posição social, quantos Wellingtons não estamos abandonando durante a vida?

Todos nós estudamos e sabemos das brincadeiras  e apelidos que se colocam nas escolas e nos casos mais sérios e duradouros, quando ocorre o que chamamos de Bullying. Todos sabemos, comentamos e não fazemos nada. Escola, professores, inspetores, alunos, faxineiros, seguranças e quem mais estiver nos ambiente escolar. Pais de alunos, famílias inteiras, todos sabemos, em maior ou menor grau. Sabemos e não fazemos nada. Não é da nossa conta , não vamos nos intrometer. Não é educado.

Mas quando explode uma tragédia desta vemos que estamos no mesmo barco.

Quem não sabe de um vizinho com comportamento meio estranho, mas não fazemos nada. No máximo morremos de dó da família, mas paramos por aí. Vivemos isolados em nossos mundinhos e esse comportamento do politicamente correto nos exime de nos intrometer em brigas de casais, em agressões a crianças, em situações de Bullying. Continuamos sentados em nossas posições confortáveis esperando pela próxima tragédia. Aliás o termo correto é intervir e não intrometer. Intervir e não se omitir. Nos isolamos atras das paredes de nossos mundos e apenas nos resignamos diante das tragédias sociais que presenciamos dia-a-dia.

Socialmente estamos sofrendo de isolamento social.

E não somente aqueles que vivem trancados em seus mundo, no interior de seus pequenos quartos.

Nós deixamos passar, para não nos comprometermos.

Nossa sociedade está gravemente enferma!

Não dá para discutir Bullying sem antes olharmos para nós mesmo e nos posicionarmos diante destes casos. Não dá mais para continuarmos a ver a doença mental com tanto preconceito e não nos comprometermos, nos engajarmos.

Enquanto não mudarmos nossa forma de intervir neste mundo continuaremos a ser passivos espectadores de tragédias anunciadas. Estaremos esperando a próxima.

BULLYING por Samara Jorge

http://www.samarajorge.com.br/bullying.html


Na última semana, o Brasil ficou chocado com a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro. Fomos todos invadidos por sentimentos de perplexidade e impotência. Saímos em busca de explicações. Afinal, o que leva um rapaz de 24 anos a cometer um ato de crueldade dessa proporção? Crianças inocentes pagaram com a própria vida pelos problemas vividos pelo ex-estudante. E as que sobreviveram, assim como suas famílias, jamais esquecerão o que viram e a experiência que tiveram naquela terrível manhã. Como mãe e como psicoterapeuta, me pergunto qual é a nossa responsabilidade em casos como esse?

Essa talvez seja uma boa oportunidade para refletirmos sobre como estamos criando nossos filhos. Crianças precisam de norte, de direção. Precisam de afeto, do olhar amoroso dos pais, de acolhimento e de reconhecimento. E de amor, muito amor. Mas precisam também de limites e, sobretudo de conseqüências quando cometem atitudes que desrespeitam, desconsideram ou invalidam o outro em suas vidas.

Nós, pais, precisamos estar atentos ao que nossos filhos precisam. Muitas vezes, um limite dado com afeto, mas com firmeza é uma demonstração inequívoca de amor e segurança para a criança. Vale também refletir sobre a seguinte questão: Será que nós, como pais, agimos com respeito na relação com nosso filhos e em nossas vidas? Será que exercemos nosso papel de cidadãos com consciência? Afinal, somos modelos para nossos filhos, que constroem seus valores convivendo e observando nosso comportamento e nossas atitudes.

Diálogo é também essencial. Mas não entendamos o diálogo como passar longas horas falando com nossos filhos sobre a melhor forma de agir ou se comportar. Ouvi-los é fundamental. Ouvi-los contar sobre o seu dia, sobre suas experiências com os colegas, ouvi-los falar sobre o que lhes passa internamente. Isso dá trabalho e demanda tempo. Quantos de nós realmente paramos para esses momentos? Corremos tanto, trabalhamos sem parar e muitas vezes não nos damos conta de que nossos filhos podem estar sofrendo ou fazendo sofrer. E, não raro, só percebemos que algo está errado quando a escola começa a marcar uma reunião, chama para conversar ou, o que é pior, quando alguma coisa mais grave acontece. Muitas vezes pode ser tarde demais...

Tudo indica que o atirador do Rio de Janeiro sofreu bullying e, embora esse não tenha sido o único fator a levá-lo a cometer esse ato absurdo contra as crianças e contra si mesmo, certamente teve alguma influência importante no desenrolar de sua vida, sua história e seus transtornos. Atendo muitos pais em meu consultório que relatam com uma frequência assustadora esse problema nas escolas de seus filhos.

O que é bullying


Chamamos de bullying todas as atitudes agressivas e repetidas entre crianças e adolescentes – estudantes. Inclui-se aqui, qualquer atitude exercida por um estudante para humilhar, fazer sofrer ou intimidar o outro: apelidos, perseguições discriminações, chacotas, exclusões, preconceitos e até a agressões físicas, sexuais e morais.

Entretanto, é importante discriminar um momento de agressividade ou uma briga do bullying. Só podemos entender como bullying atos agressivos frequentes e repetidos com o mesmo alvo. Muitas vezes, as crianças passam por fases em que estão mais briguentas, mais intolerantes ou agressivas. Essas atitudes podem ser a manifestação de algum problema circunstancial, de alguma dificuldade em lidar com uma situação qualquer em sua vida. É preciso que pais e professores fiquem atentos para que possam fazer essa diferenciação.

Crianças vítimas de bullying, em geral, possuem características diferentes do agressor e sentem-se fragilizadas com essa condição. Podem ser crianças com problemas de insegurança, que já sofrem violência em suas casas, com baixa autoestima, obesidade, timidez, deficiências físicas, diferenças étnicas, culturais, econômicas, e que acabam intimidadas pela diferença, sobretudo de poder que sentem em relação ao agressor. Por se sentirem frágeis, sem recursos e com medo para dar um basta, acabam por se submeter, inclusive por sentirem vergonha de suas “fraquezas e fragilidades”. Em alguns casos, felizmente raros e extremos, podem chegar a tentar ou cometer suicídio.

Já as que praticam o bullying são crianças agressivas, por vezes dissimuladas, que podem ter relações familiares desestruturadas afetivamente. Não é raro que possuam pouca atenção, carinho e cuidados, recebendo poucos limites, ou ainda, que sejam vítimas de agressões físicas e verbais por parte de seus pais.
Como diagnosticar o bullying


É preciso que pais e professores fiquem atentos ao comportamento das crianças. No caso da vítima, se a criança começa a não querer ir à escola, ter baixo rendimento escolar, diz ter medo de ir à escola ou fazer o trajeto sozinho, sente-se mal na hora de ir para a aula ou, com uma certa frequência, chega em casa machucado, sem dinheiro e com materiais estragados, ele pode estar sendo vítima de bullying.

Já no caso do agressor, crianças com comportamento agressivo, provocativo, que não se responsabilizam por seus atos, que apresentam dificuldade em se relacionar com outras crianças, em geral intimidando-as, podem, potencialmente, (mas não necessariamente), praticar o bullying.
Formas de tratamento


Se suspeitar que seu filho está sendo vítima de bullying, o primeiro passo é ter uma conversa com ele sobre o assunto. É importante que os pais tenham disponibilidade, paciência e ouçam o filho com uma atitude carinhosa e acolhedora. Prepare-se, pois pode ser que por medo, culpa ou vergonha ele não queira falar ou negue o que está acontecendo. Procure mostrar que ele não tem culpa, mas, ao mesmo tempo, não deixe de esclarecer se alguma atitude dele pode ter provocado a agressividade do colega.

Jamais o recrimine por não ter conseguido lidar com a situação. Incentive-o a contar o que está acontecendo, fazendo com que ele confie que estará a seu lado e que o ajudará. Em hipótese nenhuma aceite manter o bullying em segredo. Ajude-o a compreender que a única forma de resolver a situação é tornando-a clara, pois todos precisam de ajuda: ele e o agressor.

Não o incentive a revidar as agressões e não peça a ele que tenha qualquer atitude que não esteja pronto para tomar. Elogie sua coragem em ter falado sobre a situação com você. Deixe claro que entrará em contato com a escola, para contar o ocorrido, para que, juntos, possam tomar providências. Faça isso rapidamente e, mesmo que não pareça tão grave, não entenda essa situação como brincadeira entre crianças, pois não é!

Caso sua suspeita seja a de que seu filho está praticando bullying, da mesma forma, converse com ele. Esteja também disponível para ouvi-lo como alguém que precisa de ajuda e evite, de todas as formas, ser agressivo com ele, assim, você estará dando a ele um modelo saudável de como lidar com conflitos e problemas. Não deixe para lá ou minimize a situação. Deixe claro que desaprova completamente sua atitude, mas não ponha em dúvida o amor que sente por ele. Não esqueça que há uma parcela de responsabilidade da família nas atitudes de nossos filhos. Diga que irá ajudá-lo, mas que, para isso, terá que conversar com a escola sobre o que está acontecendo, para que, juntos, encontrem uma solução para o problema. Procure não apenas julgá-lo, mas ouça o que ele tem a dizer sobre a situação e sobre o que ele acha que pode estar levando-o a ter esse tipo de comportamento.

Se ainda não o faz, dê a ele regras e limites claros, mas sem ameaças ou intimidações. E faça valer esses limites, impondo consequências caso não sejam respeitados. É importante que esses limites sirvam para estruturá-lo e conscientizá-lo sobre suas atitudes. Promova uma conversa entre ele e o colega que está sendo agredido, criando uma oportunidade para que se desculpe. Se possível, peça a ajuda da escola para criar essa oportunidade. Não se esqueça de elogiá-lo, caso consiga fazer isso! Além das consequências seu filho precisa de ajuda, lembre-se disso.

Em ambos os casos, é imprescindível que família, escola, agressor e agredido se envolvam na busca por soluções para o problema. A psicoterapia é uma possibilidade a ser considerada, já que, tanto os agressores, como os agredidos e as famílias podem se beneficiar desse tipo de ajuda para entender o que está acontecendo e lidar com o problema.
Formas de combater o bullying


Nada é melhor e mais eficaz do que a consciência. É importante que pais e escolas conversem com suas crianças sobre o assunto, sobre a importância de se respeitar diferenças, de lidar com preconceitos. Para os pais, uma dica é se interessar e participar da vida e das atividades de seus filhos. Conversar com eles constantemente e abrir um canal de comunicação, afetivo e seguro são atitudes essenciais.

No caso das escolas, promover a participação dos alunos em discussões sobre regras de comportamento, projetos de inclusão de diferenças ou que desenvolvam solidariedade e trabalhem conceitos de ética, cidadania e responsabilidade social, podem prevenir o problema.

Sâmara Jorge é psicoterapeuta de orientação junguiana, especialista em Psicologia Analítica pela Opus Psicologia e Educação, atende adolescentes, adultos e casais e, paralelamente, desenvolve grupos de supervisão clínica, orientação de pais de gêmeos e estudos sobre temas ligados à Psicologia Analítica e à Mitologia Grega. É articulista em diversos sites e revistas.

domingo, 8 de maio de 2011

Maternidade!!!

Ainda não tinha me recuperado da surpresa do teste de gravidez, já que para a ciência eu nunca engravidaria naturalmente, sem Reprodução Assistida. Estava ainda atordoada quando, três dias depois desta confirmação, fui fazer a primeira ultrassonografia.
Lá estava aquele pequeno ponto de Luz pulsando em meu ventre! Não pude conter as lágrimas... Eu iria ser mãe!!!! Fui arrebatada pelo melhor e mais intenso sentimento de plenitude que já havia tido em toda minha vida. Eu estava completa. Eu estava preenchida. O preenchimento de meu útero por aquele pequeno ponto de luz me dava a dimensão de uma outra instância do feminino: SER MÃE.
A partir daquele momento tudo mudou. Minha vida mudou. Eu que já vinha desejando e me preparando para isso há tanto tempo, descobri minha experiência mais duradoura : SER MÃE.

Quando a mulher engravida passa por uma mudança intensa e complexa. Uma mudança BIO-PSICO-SOCIAL.
BIO refere-se às transformações biológicas, corporais, hormonais que irá enfrentar durantes os próximos 9 meses. PSICO, naturalmente esta relacionado a todo conjunto de mudanças emocionais, cognitivas, conscientes ou inconscientes que ocorrem neste período. E SOCIAl, porque é claro que a vida desta mulher jamais será a mesma depois desta experiência, além de estar ligada aos modelos e perspectivas do que é ser mãe na sociedade em que esta mulher vive.
A sensação ou a percepção de ser mãe está relacionada a todos estes fatores, com ênfase diferente para cada uma. Os hormônios da gravidez, principalmente Estrogênio, Progesterona e Prolactina, inundam o organismo da mulher, causando mudanças físicas e psicológicas, promovendo a sensação de proteção, nutrição e cuidados que garantam o bem-estar do feto e mais tarde do bebê. Para algumas mulheres, essa é um importante gatilho para o despertar desse sentimento de ser mãe.
As mudanças psicológicas podem se manifestar desde o início da gravidez ou até mesmo antes dele. Dentro de uma visão junguiana, arquétipos da Grande Mãe são constelados, ou seja, toda a experiência acumulada pela humanidade e as experiências pessoais desta única mulher com sua mãe e com a maternidade, provocam uma pressão interna em sua personalidade despertando nesta mulher   essa identidade materna, sendo ativados os núcleos de cuidado, nutrição, afeto, proteção, continuidade de si mesma através e para além de um filho. É muito prazeroso e forte esse sentimento.
O valor social de ter um filho, de ser mãe é também determinante para o surgimento da identidade materna. Uma sociedade que priorize a profissão em detrimento à maternidade pode ter um impacto negativo sobre a aceitação deste sentimento materno, bem como pode ser carente de modelos positivos que ajudem a mulher a se identificar com a maternagem, ou seja, os cuidados com o bebê.
Nenhum destes fatores podem ser considerados separadamente, mas para cada mulher o peso de cada um deles é diferente. Para umas são os hormônios, para outras os modelos e assim por diante, respeitando a individualidade de cada uma. E é essa individualidade que faz com as mulheres despertem para a maternidade em momentos diferentes, não há regras. E isso pode mudar de inclusive de uma gravidez  para outra, para uma mesma mulher.
Temos que lembrar também que na maioria dos casos esse sentimento é muito desejado e positivo, mas de acordo com o momento e as condições em que ocorre a gravidez na vida de uma mulher, pode ser rejeitado e complicado.
Nunca podemos afirmar a priore se uma mulher esta preparada para ser mãe, até porque essa experiência é tão intensa que vai se modificando dia-a-dia. Às vezes somos mães bem antes de termos filhos biológicos ou do coração, às vezes mesmo sem tê-los, mas nossa postura diante da vida é maternal com todos: sobrinhos, amigos, filhos dos amigos.
Não sei dizer se existe o instinto materno, essa é uma discussão muito acirrada ainda hoje nos meios científicos, antropológicos. Mas o que sei, isto sim, é que quando uma mulher se entrega a esse sentimento, a plenitude toma conta dela e podemos alimentar a esperança da continuidade da espécie, do planeta, da Vida.
Um beijo muito especial.
Feliz dia das Mães!


terça-feira, 3 de maio de 2011

MÃE


Minha Mãe
Vinicius de Moraes

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora.  Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.

O poema acima foi extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 186.
Conheça a vida e a obra do autor em "Biografias".